Close Menu
    Facebook X (Twitter) Instagram WhatsApp
    Terça-feira, Março 10
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Tenacidade das PalavrasTenacidade das Palavras
    • Início
    • Livros
    • Ensaio
    • Crónica
    • Literatura
    • Romance
    • Entrevista
    • Poesia
    • Música
    • Conto
    • Biografia
    • Filmes
    • Escrita Criativa
    Tenacidade das PalavrasTenacidade das Palavras
    Home»Música»Human Nature (ou em busca da natureza humana)
    Música

    Human Nature (ou em busca da natureza humana)

    Fernando ChaúqueBy Fernando Chaúque04/06/2025Updated:04/06/20251 comentário4 Mins Read
    Human Nature (ou em busca na natureza humana)
    Share
    Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Email

    Cresci ouvindo estes sons mesmo quando não sabia quem os cantava. Na tenra idade, totalmente imaturo e inconsciente, ouvia-os nos corredores do bairro e na vizinhança. Um pouco mais tarde, quando já ajeitava alguns passos ao som daquelas emblemáticas músicas, elaborei a teoria de que nenhum outro músico chegaria aos pés do Michael Jackson (MJ). Não enxergava e ainda não enxergo, no meu imaginário, um homem que fez as coisas à semelhança do MJ – cantar, dançar e entusiasmar as pessoas. Tínhamo-lo por perto e distante, era-nos intocável e íntimo, ao mesmo tempo. Amávamo-lo por vários motivos, mas também detestávamo-lo por nunca nos dar as suas faces fisicamente.

    Já não tenho em mente o nome do mano que inventou a história de que Michael Jackson era descendente de moçambicanos que se tinham radicado nos Estados Unidos. Já não me lembro do mano, mas posso garantir-te que a sua invenção ilusória correu pelos corredores do bairro, como se realmente MJ pudesse, na primeira pessoa, pronunciar-se e assumir a sua relação intrínseca com Moçambique e a sua cultura. Esta teoria residia ao lado da verdade para o povo não-falante de inglês, por conta das “dublagens falsas” que circulavam em línguas bantu nacionais. Em changana, por exemplo, cantávamos “Bad” com toda a pompa que se exigia, e acreditávamos que, nesta música em particular, MJ tinha decidido homenagear as suas origens moçambicanas e changanas, pondo-se a glorificar a “mathapa (folhas de mandioca)” e a gastronomia nacional.

    Ouvíamos a palavra “mathapa” ao longo de “Bad” como se realmente se dissesse “mathapa”. Houve tantas outras músicas “dubladas” e associadas a Moçambique e ao seu povo… O homem está presente nas nossas vidas, mesmo morto. Só morreu a carne, mas o homem está vivo em cada um de nós, principalmente em cada uma daquelas crianças que cantavam “Bad” à sua maneira.

    Por conta própria, já crescidinho e ciente das minhas limitações analíticas, dei-me ao trabalho de reapreciar MJ a partir de “Off The Wall”, passando por “Thriller”, “Dangerous” e “Invincible”. Neste exercício de reavaliação dos álbuns do mitológico rei do pop, cheguei a uma evidente conclusão: o homem nunca cantou sobre Moçambique, nunca pronunciou uma palavra sequer em línguas bantu; até podia ter descendência africana, mas não era moçambicano, e nenhuma pesquisa afirma que o homem teria passado por Moçambique. Sortudos são os brasileiros, não os moçambicanos. Foi na favela brasileira que MJ gravou um vídeo, não no subúrbio moçambicano. Sobre Moçambique cantou Bob Dylan, mas ninguém sabe dizer se ele pisou esta terra.

    A segunda conclusão da minha reavaliação foi a seguinte: “Human Nature” é a mais perfeita música da autoria de MJ. Até Miles Davis deu-se ao trabalho de fazer uma remix daquele som, usando apenas o seu mágico trompete. Aliás, não é por acaso que Stevie Wonder, recorrendo à magia da sua voz, volta sempre ao mesmo tema para maravilhar o seu público em espectáculos diversos.

     

    “Human Nature” é aquele som que vários músicos gostariam de ter escrito e cantado. É aquela melodia que celebra a boa composição musical. Para mim, “Human Nature” sabe melhor romantizar a nostalgia e a melancolia. É aquele som que me conecta a uma nostalgia imaginária, como se o simples acto de escutar significasse cultivar saudades. Escuto “Human Nature” e sinto saudades, saudades daquele passado imaturo, ingénuo, inocente e livre das pressões sociais e individuais.

    MJ inventou esta música para que nos lembrássemos daquele passado alegre que, entretanto, transformou-se em dor por ser inalcançável. Ainda vejo os meus amigos, querendo cantar e dançar como MJ, lembro-me também daqueles que queriam ser jogadores de futebol, outros actores do cinema. Eu só queria ser escritor, para inventar histórias e dar voz a coisas que me ocorrem na mente. Entretanto, entre sonhos, desilusões, realidades, pessimismos e receios, descobri que tudo isto faz parte da natureza humana, não tem nada que ver com ser bom ou mau, inteligente ou menos esperto. MJ quis dizer que esta coisa que chamamos vida é uma incógnita e, por isso, cada um de nós deve buscar a sua verdadeira natureza humana.

    Por Albert Dalela

    Todas as novidades no seu email!

    Verifique na sua caixa de correio ou na pasta de spam para confirmar a sua subscrição.

    Musica
    Share. Facebook Twitter WhatsApp Reddit Email
    Fernando Chaúque
    • Website
    • Facebook
    • Instagram

    FERNANDO ABSALÃO CHAÚQUE Licenciado em Ensino de Língua Inglesa pela Universidade Pedagógica de Maputo, é professor de profissão. É também escritor, autor do livro “Âncora no Ventre do Tempo” (2021), Prémio Literário Alcance Editores, edição de 2019, e co-autor das seguintes obras: “Barca Oblonga” (editora Fundza, 2022), “Mazamera Sefreu” (editora Kulera, 2023) e “Atravessar a pele” (Oitenta Noventa, 2023). Fez parte dos livros “Os olhos Deslumbrados” (FFLC, 2021); “Um natal experimental e outros contos” (Gala Gala edições, 2021).

    Artigos relacionados

    Quando eu disser AZA vocês dizem GAIA

    19/02/2025

    As metáforas visuais em Música de Intervenção Rápida de Azagaia

    22/07/2024

    Nas e Hit-Boy: Uma Colaboração Mágica em “Magic 2”

    02/09/2023

    1 comentário

    1. Ericson Sembuer on 04/06/2025 3:25 pm

      1. O maior músico negro da história;
      2. O maior músico branco da história;
      3. O maior músico da história.

      Reply
    Leave A Reply Cancel Reply

    Siga-nos
    • Facebook
    • Instagram
    Leia mais
    Ensaio

    Ecos do Trovadorismo no Romance Moderno “Ausências, Intermitências e Outras Incompletudes”, de Valério Maúnde

    By Fernando Chaúque15/01/20260

    “Ausências, Intermitências e Outras Incompletudes”, segunda obra literária de Valério Maúnde, lançada em 2022 sob…

    É bom que o homem pense mais um pouco

    24/12/2025

    Nota de Fim de Ano Lectivo

    16/12/2025

    Uniformes Manchados de álcool

    08/10/2025

    O meu maior filme de terror

    01/08/2025

    A Revolução Agro-Pecuária do Transporte Nacional

    23/07/2025

    The Emperor of Gladness, de Ocean Vuong – Consumo, Guerra e Resistência

    17/07/2025

    A memorável conversa escorregadia

    04/07/2025
    Artigos recentes
    • António Lobo Antunes: por onde começar a ler
    • Ecos do Trovadorismo no Romance Moderno “Ausências, Intermitências e Outras Incompletudes”, de Valério Maúnde
    • É bom que o homem pense mais um pouco
    • Nota de Fim de Ano Lectivo
    • Uniformes Manchados de álcool
    Crónicas

    Nota de Fim de Ano Lectivo

    16/12/2025

    Uniformes Manchados de álcool

    08/10/2025

    A Revolução Agro-Pecuária do Transporte Nacional

    23/07/2025
    Livros

    António Lobo Antunes: por onde começar a ler

    06/03/2026

    20 Livros de Poesia mais Influentes na Literatura Moçambicana

    19/05/2025

    Mario Vargas Llosa: 8 livros essenciais

    02/05/2025
    Entrevistas

    “O mundo é um mosaico de loucos” – Entrevista com Ernestino Maúte sobre “O Epitáfio do Josemar Araújo e Outros Ateus do Criador”

    27/05/2025

    “A morte e o amor são os grandes temas da humanidade”, Entrevista a Mélio Tinga sobre “Névoa na Sala”

    11/09/2024

    Jon Fosse, Prémio Nobel de Literatura de 2023: “Prefiro viver da maneira mais entediante possível”

    16/12/2023
    Facebook X (Twitter) Instagram Pinterest WhatsApp
    © 2026 Tenacidade das Palavras.

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.