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    Home»Entrevista»“A morte e o amor são os grandes temas da humanidade”, Entrevista a Mélio Tinga sobre “Névoa na Sala”
    Entrevista

    “A morte e o amor são os grandes temas da humanidade”, Entrevista a Mélio Tinga sobre “Névoa na Sala”

    Fernando ChaúqueBy Fernando Chaúque11/09/2024Updated:11/09/2024Sem comentários6 Mins Read
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    Névoa na Sala é um romance cuja narrativa mergulha nos dilemas da condição humana, em especial nos traumas da guerra e da depressão. Situado em um contexto de conflitos bélicos e psicológicos, este livro convida o leitor a adentrar um labirinto emocional, onde as vozes de três narradores revelam as suas feridas internas.

    Nesta conversa, Tinga partilha as motivações por detrás da criação deste romance, a construção dos personagens e a escolha por uma narrativa “fragmentada”, oferecendo uma visão geral sobre o seu processo de escrita. Além disso, o autor de Névoa na Sala, conhecido por uma escrita que atravessa os limites entre realidade e ficção, descreve os contornos da sua intenção de, neste romance, transformar a dor em arte e o desejo de oferecer consolo àqueles que, como suas personagens, lutam contra os fantasmas do passado.

    Vale ressaltar que, além de escritor, Tinga é licenciado em Educação Visual, pós-graduado em Branding; co-fundador e director executivo da Catalogus e de OitentaNoventa – Projecto de ligação entre gerações literárias.

    “A morte e o amor são os grandes temas da humanidade”, Entrevista a Mélio Tinga sobre “Névoa na Sala”

    Fernando Absalão Chaúque (FAC): ⁠Em que circunstâncias surgiu a ideia de escrever Névoa na Sala?

    Mélio Tinga (MT): Há guerras demais neste mundo. Há muita gente vítima dessas guerras, destroços humanos, pessoas que quando regressam vivem completamente atormentadas, até os seus últimos dias. Mas ninguém fala disso. Erguem-se cidades e faz-se o mínimo por essas pessoas, o mínimo possível. Nunca há orçamentos para essas coisas. Tem muita gente a lutar por causas que não estão claras. Há muito sangue a jorrar. Um mundo de lágrimas. Eu queria ampliar isso através deste livro, queria chamar atenção a isso. Ou pelo menos tentar. Se estou a conseguir, isso é outro capítulo, mas o facto de ter conseguido transformar isso em livro, liberta-me dos fantasmas nocturnos que andavam a bater constantemente na minha cabeceira.

    FAC:⁠ Sobre o processo de escrita deste livro. Foi tudo planeado com antecedência, ou deixou que a narrativa se desenvolvesse de forma mais orgânica, permitindo que o próprio livro “decidisse” seu rumo?

    MT: Dos meus livros, provavelmente, este é o que mais vida própria teve ao longo do processo de escrita. A única coisa que pensei, milésimas vezes foi o início, por onde se podia pegar o livro e também alguns pontos que sabia que o livro precisava de atravessar por eles, uma espécie de paragens necessárias, mas de resto o livro foi, por si, construindo o seu trilho e arrastando-me, quase, consigo.

    FAC: ⁠No livro, há três narradores auto-diegéticos. Por que optou por esse tipo de narrador?

    MT: Hesitei muitas vezes construir o livro desta forma, mas o trabalho de escrita mostrou-me que para aquilo que precisava, não havia outra forma de escrevê-lo. Era preciso assumir as três vozes para que o texto avançasse, isso foi um trabalhoso, mas também deu-me muito prazer e ao mesmo tempo desbloqueou o mecanismo central do livro. Estou convicto que se não tivesse cedido a essa perseguição das três vozes, teria sido impossível construir “Névoa na Sala”. Poderia ser um livro, mas não este, não o conceito que consegui neste resultado em que fica evidente que cada uma delas é conturbada e tem um ponto de vista diferente sobre as turbulências do mundo.

    FAC:⁠ ⁠A numeração dos capítulos não é “linear”. Por exemplo, temos o capítulo 8 seguido pelo capítulo 13, depois 21, 34, 55, e assim por diante. Qual foi a intenção por trás dessa estrutura?

    MT: Este não é um livro formal, a própria configuração do livro é completamente caótica. Durante a história há avanços e recuos, lembranças que interferem o curso normal da história. E compreendi que a numeração dos capítulos precisava também desse tom desordenado, mas controlado e pensado. Para isso, recorri ao meu interesse pela Matemática, especificamente a sequência de Fibonacci, uma sequência de números inteiros, começando normalmente por 0 e 1, na qual cada termo subsequente corresponde à soma dos dois anteriores. Esta sequência é também usada para explicar a beleza na natureza e é profundamente usada também na geometria.

    Mélio Tinga
    Mélio Tinga

    FAC: ⁠A morte é um tema recorrente em suas obras. Em Névoa na Sala, assim como em Voo dos Fantasmas (2018) e Engenharia da Morte (2020), explora, até certo ponto, a temática da morte. Há um motivo especial que o leva a retornar constantemente a esse tema?

    MT: Acho que a morte e o amor são os grandes temas da humanidade. Escrevo livros sobre homens, homens lúcidos e que enfrentam a vida tal como ela é, sem temer, sem fugir do que é concreto e real. E a morte é permanente e está permanentemente atrelado ao nosso corpo, a morte é a maior pergunta dos homens. Por isso que está presente nos meus livros. Os meus livros são essa pergunta global.

    FAC: Névoa na Sala aborda temas complexos como trauma e a guerra. Há algum impacto especial que espera causar no leitor ao explorar esses temas?

    MT: Acho que precisamos estar atentos aos estragos que a guerra causa ao ser humano e considerar a reconstrução humana, a cura dos traumas como uma das prioridades pós-guerra. Esse foi motivo-arranque para esta incursão.

    FAC:⁠ ⁠Os cenários de guerra e o hospital psiquiátrico são bastante detalhados na narrativa. Esses contextos foram baseados em uma pesquisa aprofundada, ou são frutos de uma construção mais fictícia?

    MT: Acho que há cruzamento dos dois. Com alguma inclinação maior para a imaginação. Mas foram ouvidas pessoas, foram lidos documentos, entre outras coisas.

    FAC: Qual foi o maior desafio na criação deste livro: começar ou terminar? Houve algum momento em que considerou abandonar o projecto?

    MT: Começar um livro é sempre mais complicado. Para mim, escrever o primeiro parágrafo é dos maiores desafios, porque aqui é que percebo se o livro avança ou não, se o tom escolhido para contar a história é o ideal ou não, se esse parágrafo tem luz o suficiente para aguentar-me até o fim ou não. Definitivamente, começar é, muitas vezes, terrivelmente intimidador. Apesar disso, nunca me ocorreu desistir deste livro, sabia que tinha de remar até o destino.

    FAC: ⁠Em sua opinião, qual o papel da literatura em tempos de conflito e pós-conflito? Névoa na Sala procura cumprir algum papel social nesse sentido?

    MT: Acalentar os corações conturbados dos homens.

    FAC: ⁠O que tem agora no forno e quando sairá?

    MT: Um infantil. O lançamento está previsto para Novembro. Depois, não sei. Talvez morra, talvez viva, talvez saia uma novela. Nunca se sabe. A literatura tem vida própria e às vezes nos surpreende.

    “A morte e o amor são os grandes temas da humanidade”, Entrevista a Mélio Tinga sobre “Névoa na Sala”

    Detalhes sobre o livro

    Título: Névoa na Sala

    Autor: Mélio Tinga

    Editora: Catalogus

    Páginas: 268

    Ano: 2024

    Edição: 1a.

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    FERNANDO ABSALÃO CHAÚQUE Licenciado em Ensino de Língua Inglesa pela Universidade Pedagógica de Maputo, é professor de profissão. É também escritor, autor do livro “Âncora no Ventre do Tempo” (2021), Prémio Literário Alcance Editores, edição de 2019, e co-autor das seguintes obras: “Barca Oblonga” (editora Fundza, 2022), “Mazamera Sefreu” (editora Kulera, 2023) e “Atravessar a pele” (Oitenta Noventa, 2023). Fez parte dos livros “Os olhos Deslumbrados” (FFLC, 2021); “Um natal experimental e outros contos” (Gala Gala edições, 2021).

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